Cirurgia de vesícula a laser existe? Entenda como ela é feita
Adriana Michelon • 2 de outubro de 2026
Adriana Michelon
2 de outubro de 2026
"Cirurgia de vesícula a laser" é um nome popular, não uma técnica diferente. Quando alguém fala em tirar a vesícula "a laser", quase sempre está falando da videolaparoscopia: o cirurgião faz pequenos cortes na barriga, usa uma câmera e pinças finas e retira a vesícula inteira. É feita com anestesia geral e, em geral, dura cerca de uma hora.
Abaixo explicamos como a cirurgia é feita, o que muda em relação à cirurgia aberta, quais são os riscos e como costuma ser a recuperação.
Cirurgia de vesícula a laser existe mesmo?
A técnica considerada padrão para retirar a vesícula é a colecistectomia por videolaparoscopia. Segundo a diretriz da Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES), a colecistectomia laparoscópica se tornou o padrão de cuidado para pacientes que precisam retirar a vesícula.
Colecistectomia é o nome técnico da retirada da vesícula. Videolaparoscopia, ou laparoscopia, é o jeito de operar por pequenos cortes, com uma câmera que mostra o interior da barriga em um monitor. Se quiser entender a técnica em detalhes, veja nosso guia sobre o que é videolaparoscopia e como ela funciona.
O laser já fez parte dessa história. No começo da videolaparoscopia, cirurgiões discutiam se era melhor usar laser ou bisturi elétrico para soltar a vesícula. Um artigo de John G. Hunter publicado no American Journal of Surgery em 1991 explicou que os dois agem da mesma forma, pelo calor. O texto concluiu que o bisturi elétrico parecia mais rápido e, em geral, menos caro, e que controlava melhor o sangramento nos casos difíceis.
Para o paciente, o ponto prático é este: o que importa saber é se a cirurgia será feita por vídeo, por robô ou aberta. O nome "a laser" não descreve nenhuma dessas opções.
Como é feita a cirurgia de vesícula por vídeo?
De acordo com a enciclopédia médica MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a cirurgia segue estes passos:
- Anestesia geral: o paciente fica dormindo e sem dor durante todo o procedimento.
- Pequenos cortes: o cirurgião faz de 3 a 4 pequenos cortes na barriga. Por um deles entra o laparoscópio, a câmera.
- Gás na barriga: um gás é colocado dentro do abdome para abrir espaço. Assim o cirurgião enxerga melhor e tem onde trabalhar.
- Retirada da vesícula: com instrumentos finos, o cirurgião solta e retira a vesícula.
O serviço público de saúde do Reino Unido (NHS) descreve que um dos cortes costuma ficar logo abaixo do umbigo e os outros do lado direito da barriga. Se a dúvida é sobre as marcas que ficam, temos um texto sobre a cicatriz da cirurgia de vesícula por videolaparoscopia.
Cirurgia de vesícula a laser: quanto tempo demora?
Segundo o NHS, a operação costuma levar cerca de 1 hora. O tempo real varia de caso a caso.
A internação também costuma ser curta. A MedlinePlus informa que a maioria das pessoas vai para casa no mesmo dia ou no dia seguinte. Em um estudo com pacientes operados em um hospital-escola de Curitiba, publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões em 2020, a internação média foi de 37,2 horas, e 70,4% dos pacientes ficaram menos de 24 horas no hospital.
Qual a diferença entre a cirurgia "a laser" e a cirurgia aberta?
Na cirurgia aberta, o cirurgião faz um corte maior na barriga para chegar à vesícula. Na videolaparoscopia, os cortes são pequenos e a visão vem da câmera. O objetivo das duas é o mesmo: retirar a vesícula.
A escolha da técnica depende da avaliação de cada caso. Comparamos as duas abordagens em detalhes no texto laparotomia ou laparoscopia: qual a diferença.
Cirurgia de vesícula por vídeo é perigosa?
Toda cirurgia tem riscos, e esta também. A MedlinePlus lista entre os riscos possíveis:
- reação a medicamentos e problemas respiratórios;
- sangramento, coágulos e infecção;
- lesão de vasos que levam sangue ao fígado;
- lesão do ducto biliar comum, o canal que leva a bile do fígado ao intestino;
- lesão do intestino delgado ou do cólon;
- inflamação do pâncreas.
Sobre a lesão do ducto biliar, segundo a diretriz da SAGES, a taxa de lesão grave desse canal na colecistectomia laparoscópica se estabilizou entre 0,1% e 0,6%.
No estudo de Curitiba publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, complicações durante a cirurgia ocorreram em 1,3% dos pacientes, e complicações depois dela, em 3,8%. São números de um único hospital e servem como referência, não como previsão para um caso individual.
Quando pode ser preciso mudar a técnica durante a cirurgia?
Às vezes, a vesícula não pode ser retirada com segurança por vídeo. Nesse caso, o cirurgião passa para a cirurgia aberta, com um corte maior. Isso se chama conversão, e a MedlinePlus descreve essa possibilidade.
A diretriz da SAGES informa taxas de conversão entre 2% e 15% em cirurgias programadas, e entre 6% e 35% quando a vesícula está muito inflamada (colecistite aguda). A mesma diretriz afirma que a conversão não deve ser vista como complicação, e sim como uma forma de evitar complicações e proteger o paciente.
A diretriz também cita situações que pedem cautela com a técnica por vídeo, como distúrbios de coagulação não tratados, cirrose avançada, abdome com muitas aderências de cirurgias anteriores e suspeita de câncer na vesícula. Por isso a técnica é definida na consulta, depois de exames e da conversa com o cirurgião.
Quem tem pedra na vesícula precisa operar?
Nem sempre. Segundo a diretriz da SAGES, pedras na vesícula que não causam sintomas, em geral, não são indicação de cirurgia. A decisão leva em conta sintomas, exames e o histórico de cada pessoa.
Como é a recuperação da cirurgia de vesícula por vídeo?
Segundo as orientações de alta da MedlinePlus, muitas pessoas voltam à maior parte das atividades em uma ou duas semanas. A recuperação completa pode levar até 6 semanas, e a disposição pode demorar algumas semanas para voltar ao normal.
Nos primeiros dias, pode aparecer dor em um ou nos dois ombros. Ela vem do gás que ficou na barriga e tende a melhorar em alguns dias a uma semana. Para saber o que já pode fazer em casa, veja o que pode fazer após a cirurgia de vesícula.
Quando procurar atendimento depois da cirurgia?
As orientações da MedlinePlus recomendam procurar o médico ou o pronto-socorro se houver:
- febre acima de 38,3 °C;
- corte que sangra, fica vermelho e quente ou solta secreção grossa, amarela ou verde;
- dor que não melhora com os remédios receitados;
- falta de ar ou tosse que não passa;
- dificuldade para comer ou beber;
- pele ou parte branca dos olhos amarelada;
- fezes cor de cinza.
Cirurgia de vesícula a laser: quanto custa?
Não há um valor único. O custo depende do hospital, da equipe, do tempo de internação e da cobertura do plano de saúde. Explicamos o que compõe esse valor no texto sobre preço, custo e cobertura da videolaparoscopia.
Perguntas frequentes
A cirurgia de vesícula a laser tira a vesícula inteira?
Sim. Colecistectomia é justamente a retirada da vesícula, seja por vídeo, por robô ou pela cirurgia aberta.
Precisa de anestesia geral?
Sim. A cirurgia por vídeo é feita com anestesia geral, segundo a MedlinePlus e o NHS.
Quantos cortes são feitos?
Em geral, de 3 a 4 pequenos cortes na barriga, um deles costuma ficar perto do umbigo.
Quanto tempo fico internado?
A maioria das pessoas vai para casa no mesmo dia ou no dia seguinte, mas isso depende da evolução de cada caso.
A cirurgia pode virar aberta?
Pode. Quando a retirada por vídeo não é segura, o cirurgião converte para a cirurgia aberta. Isso é uma medida de segurança, não um erro.
Existe opção com robô?
Sim. A Clínica Bellit também realiza cirurgia robótica. Se ela faz sentido para o seu caso, isso é definido na consulta.
Próximo passo
Se você tem pedra na vesícula ou recebeu indicação de cirurgia, uma consulta ajuda a entender se a operação é necessária e qual técnica faz sentido para o seu caso. Agende uma avaliação com a equipe da Clínica Bellit.
Referências
- Overby DW, Apelgren KN, Richardson W, Fanelli R; Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES). Guidelines for the clinical application of laparoscopic biliary tract surgery. Surgical Endoscopy, 2010. sages.org. Acesso em 02/10/2026.
- Hunter JG. Laser or electrocautery for laparoscopic cholecystectomy? The American Journal of Surgery, 1991;161(3):345-9 (PMID 1825755). ohsu.elsevierpure.com. Acesso em 02/10/2026.
- Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Epidemiological and clinical assessment of patients undergoing videolaparoscopic cholecystectomy at a Curitiba teaching hospital, 2020. scielo.br. Acesso em 02/10/2026.
- U.S. National Library of Medicine. Laparoscopic gallbladder removal. MedlinePlus Medical Encyclopedia, revisado em 2025. medlineplus.gov. Acesso em 02/10/2026.
- U.S. National Library of Medicine. Gallbladder removal – laparoscopic – discharge. MedlinePlus Medical Encyclopedia, revisado em 2024. medlineplus.gov. Acesso em 02/10/2026.
- NHS (National Health Service, Reino Unido). How gallbladder removal is done, revisado em 2025. nhs.uk. Acesso em 02/10/2026.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Revisão médica: Dr. Danilo Bugalho Galdiano — CRM-SP 152058 — RQE 89659 / 896591.



