Colecistectomia: qual o nome da cirurgia de vesícula e como ela é feita
Adriana Michelon • 5 de outubro de 2026
Adriana Michelon
5 de outubro de 2026
O nome da cirurgia de vesícula é colecistectomia: a retirada da vesícula biliar. Na maioria dos casos, ela é feita por videolaparoscopia, com pequenos cortes na barriga e anestesia geral. Também pode ser feita de forma aberta ou com auxílio de robô. A indicação depende da avaliação do cirurgião.
O que significa colecistectomia?
A palavra parece difícil, mas é a soma de três partes. "Cole" quer dizer bile. "Cisto" quer dizer bolsa. "Ectomia" quer dizer retirada. Ou seja: retirada da bolsa que guarda a bile.
Essa bolsa é a vesícula biliar. Segundo o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos EUA (NIDDK), ela é um órgão pequeno, em forma de pera, que fica no lado direito e alto da barriga, abaixo do fígado. Sua função é armazenar a bile, um líquido que ajuda na digestão.
No pedido médico ou na guia do plano de saúde, você pode ver o nome completo do procedimento, como "colecistectomia por videolaparoscopia". O nome muda conforme a técnica, mas o objetivo é o mesmo: tirar a vesícula inteira.
Por que a vesícula precisa ser retirada?
O motivo mais comum é a pedra na vesícula. De acordo com o NIDDK, os cálculos são pedaços duros, parecidos com pedrinhas, formados em geral de colesterol ou de bilirrubina.
As diretrizes da Sociedade Americana de Cirurgiões Gastrointestinais e Endoscópicos (SAGES) citam como indicações, entre outras:
- pedra na vesícula que causa sintomas, como crises de dor;
- colecistite aguda, que é a inflamação da vesícula;
- complicações de pedras que migram para os canais da bile, incluindo a pancreatite;
- discinesia biliar, quando a vesícula não esvazia como deveria.
A crise de vesícula costuma aparecer como dor no lado direito e alto da barriga. O NIDDK descreve que essa dor pode durar várias horas e costuma surgir depois de refeições pesadas, muitas vezes à noite.
Quem tem pedra na vesícula sem sintomas precisa operar?
Em geral, não. A SAGES afirma que pedras sem sintomas, de modo geral, não são indicação de cirurgia. O NIDDK segue a mesma linha: se os cálculos não causam sintomas, provavelmente não há necessidade de tratamento.
Isso não quer dizer que o achado deva ser ignorado. Há situações particulares que o cirurgião avalia caso a caso. Por isso, quem descobre pedra num exame de rotina deve levar o resultado a uma consulta, e não decidir sozinho.
Quais são os tipos de colecistectomia?
Existem três formas principais de retirar a vesícula. Todas tiram o mesmo órgão. O que muda é o caminho até ele.
Colecistectomia por videolaparoscopia
É a técnica mais usada. O cirurgião faz pequenos cortes na barriga e opera com uma câmera e pinças finas. Conforme a SAGES, a colecistectomia por videolaparoscopia se tornou o padrão de cuidado para quem precisa retirar a vesícula. Se quiser entender a técnica em detalhe, veja nosso texto sobre o que é videolaparoscopia e como ela funciona.
Muita gente chama essa cirurgia de "cirurgia de vesícula a laser". O nome é popular, mas a técnica usa câmera e pinças, não laser.
Colecistectomia aberta
Aqui o acesso é feito por um corte maior na barriga. Segundo o NIDDK, a cirurgia aberta é usada quando a vesícula está muito inflamada, infeccionada ou com cicatrizes de operações anteriores. As diferenças entre os dois acessos estão no nosso post sobre laparotomia ou laparoscopia e quando a cirurgia aberta é necessária.
Colecistectomia robótica
É uma forma de cirurgia minimamente invasiva em que o cirurgião comanda braços robóticos a partir de um console. Os cortes são pequenos, como na videolaparoscopia. Uma revisão sistemática publicada na revista Systematic Reviews em 2021 concluiu que, em doença benigna e cirurgia programada, os resultados clínicos foram semelhantes entre a técnica robótica e a videolaparoscópica. A mesma revisão mostrou que o tempo de sala foi maior com o robô na maioria dos estudos. Saiba mais sobre cirurgia robótica na Bellit.
Como é feita a cirurgia de vesícula?
O passo a passo varia conforme o caso, mas alguns pontos são comuns:
- Anestesia: de acordo com o NIDDK, a cirurgia costuma ser feita com anestesia geral. A SAGES lembra que o paciente precisa ter condições de receber esse tipo de anestesia.
- Retirada: o cirurgião identifica com cuidado as estruturas ao redor da vesícula e retira o órgão inteiro, com as pedras dentro.
- Alta: segundo a SAGES, quem faz a cirurgia por vídeo sem complicações para tratar pedra com sintomas pode receber alta no mesmo dia. Em outros casos, a equipe pode preferir que o paciente durma no hospital.
Dá para viver sem a vesícula?
Sim. O NIDDK explica que a vesícula não é um órgão essencial e que é possível viver normalmente sem ela. Depois da cirurgia, a bile passa a ir direto do fígado para o intestino, em vez de ficar guardada.
Algumas pessoas notam fezes mais moles ou mais frequentes depois da cirurgia. Segundo a mesma fonte, isso acontece com uma pequena parte dos pacientes e, em geral, é passageiro.
Quanto tempo leva a recuperação?
Depende da técnica e de cada pessoa. O NIDDK estima que, depois da videolaparoscopia, a volta às atividades físicas normais costuma acontecer em cerca de uma semana. Depois da cirurgia aberta, o prazo é de cerca de um mês.
Esses números são médias. O retorno ao trabalho, à direção e aos esforços é liberado pelo cirurgião em consulta. Para dúvidas práticas do dia a dia, veja o que pode e o que não pode fazer após a cirurgia de vesícula.
Quais são os riscos da colecistectomia?
Toda cirurgia tem riscos, e a de vesícula não é exceção. Além dos riscos comuns a qualquer cirurgia e anestesia, existe um risco específico: a lesão dos canais que levam a bile do fígado ao intestino. A SAGES informa que a taxa de lesão grave desses canais na cirurgia por vídeo se estabilizou entre 0,1% e 0,6%.
É uma complicação rara, mas séria. Por isso, a técnica cuidadosa e a experiência da equipe fazem diferença. Converse com o cirurgião sobre os riscos no seu caso antes de marcar a cirurgia.
Quando a cirurgia não é indicada ou pode precisar mudar de técnica?
A SAGES lista situações em que a cirurgia por vídeo não deve ser feita, como distúrbio de coagulação sem tratamento, cirrose avançada ou falência do fígado e suspeita de câncer de vesícula. Nesses casos, o plano é outro, e é a equipe médica que define.
Também pode acontecer de a cirurgia começar por vídeo e terminar aberta. Isso se chama conversão. Segundo a SAGES, a conversão ocorre em 2% a 15% das cirurgias em geral e em 6% a 35% quando a vesícula está inflamada (colecistite aguda). A diretriz é clara: converter não deve ser visto como complicação. É uma decisão de segurança.
Quando procurar o pronto-socorro?
Quem tem pedra na vesícula, operado ou à espera da cirurgia, deve buscar atendimento imediato diante destes sinais, conforme o NIDDK:
- dor na barriga que dura várias horas;
- náusea e vômitos;
- febre, mesmo baixa, ou calafrios;
- pele ou parte branca dos olhos amarelada (icterícia);
- urina cor de chá e fezes claras.
Esses sinais podem indicar infecção ou inflamação da vesícula, do fígado ou do pâncreas. Não espere a consulta marcada.
Perguntas frequentes
Colecistectomia é o mesmo que cirurgia de vesícula?
Sim. Colecistectomia é o nome técnico da cirurgia que retira a vesícula biliar.
Cirurgia de vesícula a laser existe?
Não como o nome sugere. "A laser" é como muita gente chama a videolaparoscopia, que usa câmera e pinças.
A colecistectomia tira só as pedras?
Não. A cirurgia retira a vesícula inteira, junto com os cálculos que estão dentro dela.
Preciso de anestesia geral?
Na maioria dos casos, sim. A técnica e o tipo de anestesia são definidos pela equipe.
Vou ficar internado?
Depende. Em casos sem complicações, a alta pode ser no mesmo dia. Em outros, a internação é mais longa.
Qual médico faz a colecistectomia?
O cirurgião geral ou o cirurgião do aparelho digestivo. Conheça a área de cirurgia do aparelho digestivo da Bellit.
Se você tem pedra na vesícula ou recebeu indicação de colecistectomia, uma consulta ajuda a entender qual técnica faz sentido para o seu caso. Agende uma avaliação com a equipe da Clínica Bellit.
Referências
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Definition & Facts for Gallstones. 2017. https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/gallstones/definition-facts. Acesso em 05/10/2026.
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Symptoms & Causes of Gallstones. 2017. https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/gallstones/symptoms-causes. Acesso em 05/10/2026.
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Treatment for Gallstones. 2017. https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/gallstones/treatment. Acesso em 05/10/2026.
- Society of American Gastrointestinal and Endoscopic Surgeons (SAGES). Guidelines for the Clinical Application of Laparoscopic Biliary Tract Surgery. 2010. https://www.sages.org/publications/guidelines/guidelines-for-the-clinical-application-of-laparoscopic-biliary-tract-surgery/. Acesso em 05/10/2026.
- Shenoy R, Mederos MA, Ye L, et al. Intraoperative and postoperative outcomes of robot-assisted cholecystectomy: a systematic review. Systematic Reviews, 2021. https://doi.org/10.1186/s13643-021-01673-x. Acesso em 05/10/2026.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Revisão médica: Dr. Danilo Bugalho Galdiano — CRM-SP 152058 — RQE 89659 / 896591.



