Videolaparoscopia: preço, o que entra no custo e cobertura do plano
Adriana Michelon • 1 de outubro de 2026
Adriana Michelon
1 de outubro de 2026
O preço de uma videolaparoscopia não é um valor único. Ele depende de qual cirurgia será feita por vídeo, do hospital, da equipe e do tempo de internação. Quem tem plano de saúde com cobertura hospitalar pode ter o procedimento coberto, desde que ele conste no Rol da ANS por essa técnica e o caso cumpra as regras de indicação.
Por isso, a pergunta "quanto custa uma videolaparoscopia?" só tem resposta depois da avaliação médica. Abaixo, explicamos o que entra na conta e como checar a cobertura do seu plano.
Por que não existe um preço único para videolaparoscopia?
Videolaparoscopia é uma técnica, não uma cirurgia específica. É a forma de operar o abdome por pequenos cortes, com uma câmera e pinças longas. Com essa técnica é possível retirar a vesícula, corrigir hérnias, operar o intestino, fazer cirurgia bariátrica e muitos outros procedimentos.
Cada uma dessas cirurgias tem duração, complexidade, materiais e tempo de internação diferentes. Uma retirada de vesícula sem complicações e uma cirurgia de intestino, ambas por vídeo, não têm o mesmo custo.
O que compõe o valor de uma cirurgia por videolaparoscopia?
Em geral, o orçamento de uma cirurgia particular reúne alguns blocos. Ao pedir um orçamento, vale conferir se todos estão incluídos:
- Honorários da equipe cirúrgica: cirurgião principal e auxiliares.
- Honorários do anestesista: o tipo de anestesia é definido pela equipe conforme a cirurgia.
- Custos hospitalares: sala cirúrgica, diárias de internação, enfermagem e medicamentos.
- Materiais e equipamentos: o uso da torre de vídeo e de materiais específicos, alguns descartáveis.
- Exames: os pré-operatórios e, quando necessário, o exame do material retirado.
- Consultas de retorno: confirme se as revisões pós-operatórias estão no pacote.
Uma dica prática: peça o orçamento por escrito, com cada item separado. Assim fica mais fácil comparar propostas e evitar surpresas.
A videolaparoscopia é mais cara que a cirurgia aberta?
O uso de equipamento de vídeo e de materiais específicos pode encarecer a parte técnica da cirurgia. Por outro lado, a recuperação costuma ser mais curta, e isso pesa na conta final.
Uma revisão sistemática da Cochrane comparou a retirada da vesícula por vídeo e por cirurgia aberta. Mortalidade, complicações e tempo de cirurgia foram semelhantes. Mas o grupo operado por vídeo ficou em média cerca de 3 dias a menos internado e teve uma convalescença mais rápida.
Menos diárias de hospital e volta mais cedo ao trabalho também são custo, mesmo que não apareçam no orçamento da cirurgia.
O plano de saúde cobre videolaparoscopia?
Depende de dois pontos: o tipo do seu plano e o procedimento.
Primeiro, o tipo de plano. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) define uma lista mínima de consultas, exames e tratamentos que os planos são obrigados a oferecer, o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. A cobertura muda conforme a segmentação contratada: ambulatorial, hospitalar com ou sem obstetrícia, ou referência. Cirurgias com internação dependem da cobertura hospitalar.
Segundo, o procedimento. A cobertura obrigatória vale para o procedimento listado no Rol, e a técnica faz diferença. Um parecer técnico da ANS de 2016 mostra isso: o implante de cateter de Tenckhoff pela técnica de videolaparoscopia não tinha cobertura obrigatória por não estar listado dessa forma, enquanto o mesmo procedimento pela técnica convencional tinha.
Já a cirurgia bariátrica por videolaparoscopia tem cobertura obrigatória para planos hospitalares e planos-referência, segundo o Parecer Técnico nº 12/2021 da ANS. Mas ela segue uma Diretriz de Utilização, com critérios de idade, IMC e doenças associadas. Entenda mais em quem tem direito à cirurgia bariátrica pelo plano de saúde.
Como conferir se o meu procedimento tem cobertura?
- Peça ao médico o nome exato do procedimento indicado e o código usado no pedido.
- Consulte o procedimento no Rol pela página da ANS sobre o que o plano deve cobrir, que leva à ferramenta de busca oficial.
- Confira no seu contrato a segmentação do plano e se há carência a cumprir.
- Envie o pedido à operadora e guarde o número de protocolo.
- Em caso de negativa, peça a justificativa por escrito. Se discordar, a ANS mantém canais de atendimento ao consumidor.
Quando a videolaparoscopia não é a melhor opção?
Nem toda cirurgia deve ou pode ser feita por vídeo. Às vezes a cirurgia começa por vídeo e precisa ser convertida para aberta durante o procedimento.
Um estudo apresentado no congresso da SAGES, a sociedade americana de cirurgiões gastrointestinais e endoscópicos, analisou 21 anos de retiradas de vesícula por vídeo em um centro. A conversão aconteceu em 2,7% dos casos. Os motivos mais comuns foram:
- inflamação intensa com aderências, que impede identificar a anatomia com segurança (61,3% das conversões);
- lesão da via biliar ou sangramento que não pôde ser controlado por vídeo;
- situações como abscesso, gangrena da vesícula, cálculos muito grandes ou obesidade.
Mudar para cirurgia aberta durante o procedimento não é um erro. É uma decisão de segurança. Vale perguntar, antes da cirurgia, se o orçamento e a autorização preveem essa possibilidade. Converse com o cirurgião sobre o que muda, em custo e em recuperação, se isso acontecer.
Perguntas frequentes
Quanto custa uma videolaparoscopia particular?
Depende da cirurgia, do hospital e da equipe. Só é possível ter um valor real depois da avaliação e do plano cirúrgico definido.
Videolaparoscopia e laparoscopia são a mesma coisa?
Sim. Os dois nomes descrevem a cirurgia feita por pequenos cortes, com câmera e pinças.
O plano pode negar a cirurgia por vídeo e autorizar só a aberta?
Pode acontecer quando a técnica por vídeo daquele procedimento não está no Rol. Confira o procedimento exato e peça a justificativa por escrito.
Existe carência para cirurgia pelo plano?
Pode haver, conforme o contrato. Confira os prazos no seu contrato ou com a operadora.
A recuperação mais rápida compensa o custo?
Em muitos casos a internação é mais curta e a volta à rotina, mais rápida. Mas a escolha da técnica é médica, não só financeira.
A cirurgia robótica entra no mesmo orçamento?
Não. A cirurgia robótica é outra técnica, com custos e regras de cobertura próprios.
Próximo passo
O valor e a cobertura só ficam claros com o procedimento definido. Se você recebeu indicação de cirurgia no abdome, conheça como a Bellit trabalha na cirurgia do aparelho digestivo ou agende uma avaliação para entender qual técnica faz sentido no seu caso.
Referências
- Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O que o seu plano de saúde deve cobrir? Atualizado em 15/10/2024. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/consumidor/o-que-o-seu-plano-de-saude-deve-cobrir-1. Acesso em 30/09/2026.
- Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Parecer Técnico nº 17/GEAS/GGRAS/DIPRO/2016 – Cobertura do implante de cateter Tenckhoff pela técnica de videolaparoscopia. 2016. Disponível em: gov.br/ans. Acesso em 30/09/2026.
- Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Parecer Técnico nº 12/GEAS/GGRAS/DIPRO/2021 – Gastroplastia (cirurgia bariátrica). 2021. Disponível em: gov.br/ans. Acesso em 30/09/2026.
- Gajsek U, Andromako N. Conversion rate in laparoscopic cholecystectomy: a 21-year experience in a single centre. Resumo apresentado no SAGES Annual Meeting (dados de 1998 a 2013). Disponível em: sages.org. Acesso em 30/09/2026.
- Keus F, de Jong J, Gooszen HG, Laarhoven CJHM. Laparoscopic versus open cholecystectomy for patients with symptomatic cholecystolithiasis. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2006. Disponível em: cochrane.org. Acesso em 30/09/2026.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Revisão médica: Dr. Danilo Bugalho Galdiano — CRM-SP 152058 — RQE 89659 / 896591.



