Robô Da Vinci: por que a cirurgia robótica custa mais?

Adriana Michelon • 1 de outubro de 2026

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Adriana Michelon

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1 de outubro de 2026

A cirurgia robótica custa mais que a videolaparoscopia por três motivos principais: o hospital precisa comprar e manter um sistema robótico caro, os instrumentos do robô têm número limitado de usos e a cirurgia costuma ocupar a sala por mais tempo. O valor final varia conforme o procedimento, o hospital e a cobertura do plano.

Neste texto, explicamos o que compõe esse custo, por que não existe um preço único e quando a tecnologia faz diferença para o paciente. Não publicamos valores em reais: cada orçamento depende da avaliação individual.

Por que a cirurgia robótica custa mais que a videolaparoscopia?

A cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva. O cirurgião opera sentado em um console, controlando braços robóticos que seguram a câmera e os instrumentos. Se quiser entender o método do começo, veja nosso texto sobre o que é cirurgia robótica e como ela funciona.

Essa estrutura traz custos que a videolaparoscopia comum não tem. Um estudo publicado no JAMA em 2018, que estimou os custos de aquisição e operação da cirurgia robótica, separou três grupos de gasto:

  • Compra e manutenção do sistema. Segundo os autores, esses custos são "novos", ou seja, só existem na cirurgia robótica.
  • Instrumentos e acessórios. O mesmo estudo explica que o fabricante limita o uso da maior parte dos instrumentos a até 10 procedimentos. Depois disso, eles precisam ser trocados.
  • Tempo de sala cirúrgica. Os autores apontam que a cirurgia robótica aumenta o tempo de uso do centro cirúrgico, o que eleva o custo hospitalar.

No Brasil, um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (ABCD), em 2022, comparou os custos diretos da correção de hérnia incisional (hérnia que surge em uma cicatriz de cirurgia anterior) por robô e por videolaparoscopia, em um instituto público brasileiro. Foram 18 pacientes operados por robô e 19 por videolaparoscopia. A conclusão dos autores: o sistema robótico acrescentou um custo total significativo, e os principais fatores foram o custo dos dispositivos médicos e robóticos e o tempo operatório mais longo.

Quanto custa o robô Da Vinci para o hospital?

O sistema Da Vinci é o modelo avaliado no relatório de 2026 da Conitec sobre ressecção retal assistida por robô. Segundo o documento, ele tem três partes:

  • o console do cirurgião, com controles manuais, pedais e visão tridimensional de alta definição;
  • o carrinho do paciente, onde ficam os braços robóticos;
  • o carrinho de visão, que processa as imagens.

O mesmo relatório da Conitec cita como limitação o elevado custo de aquisição do equipamento e de manutenção da plataforma robótica, além da necessidade de treinar as equipes. Na prática, o hospital faz um investimento alto para comprar o sistema e paga manutenção ao longo dos anos. O estudo do JAMA mostra que parte desse custo de compra e manutenção é distribuída por procedimento.

Por isso, quando alguém pesquisa "preço do robô Da Vinci", a resposta útil para o paciente não é o valor do equipamento. É entender como esse investimento aparece na conta da cirurgia.

O que entra no valor de uma cirurgia robótica?

O orçamento de uma cirurgia robótica costuma reunir vários itens. Nem todos dependem do robô:

  • Uso da plataforma robótica e dos instrumentos. Inclui a parte do investimento no sistema, a manutenção e os instrumentos de uso limitado.
  • Tempo de sala e recursos do centro cirúrgico. No estudo brasileiro da ABCD, a cirurgia robótica teve gastos maiores com tempo de sala, gases anestésicos, recursos humanos, materiais e medicamentos.
  • Equipe médica. A Resolução CFM nº 2.311/2022 exige um cirurgião auxiliar ao lado do paciente, pronto para intervir rapidamente em caso de evento adverso. Ou seja, a equipe tem no mínimo dois cirurgiões, além do anestesista.
  • Internação e exames. Diárias, exames antes e depois da cirurgia e eventuais materiais específicos, como a tela usada em correção de hérnia.

Um ponto que surpreende muitos pacientes: no estudo da ABCD, não houve diferença significativa no tempo de internação, nos custos de UTI nem no gasto com a tela entre os dois grupos. A diferença de custo veio da sala cirúrgica e dos dispositivos, não de uma internação mais longa.

Esse raciocínio é parecido com o da videolaparoscopia, que também não tem preço único. Explicamos o orçamento da cirurgia por vídeo no texto videolaparoscopia: o que entra no custo e como funciona a cobertura.

A cirurgia robótica é melhor por ser mais cara?

Não necessariamente. Custar mais não significa ser a melhor opção para todos os casos.

A tecnologia tem vantagens reais em algumas situações. O artigo da ABCD cita a visão 3D de alta qualidade e a maior liberdade de movimento, que facilitam etapas como soltar aderências (tecidos grudados por cirurgias anteriores) e reconstruir a parede abdominal em casos complexos.

Por outro lado, os autores do estudo do JAMA concluem que o uso continuado do robô depende de mostrar benefício clínico superior, considerando o conjunto completo dos custos. Em outras palavras: em procedimentos simples, a videolaparoscopia pode oferecer resultado semelhante com custo menor.

Para comparar as duas técnicas em detalhe, leia cirurgia robótica ou videolaparoscopia: qual a diferença. A escolha é feita na consulta, considerando o tipo de doença, as cirurgias anteriores, a saúde geral e a cobertura disponível.

Quando a cirurgia robótica pode não ser a melhor escolha?

Toda técnica tem limites. Alguns pontos que o cirurgião avalia antes de indicar o robô:

  • Procedimentos em que o ganho é pequeno. Quando a videolaparoscopia resolve bem o problema, o custo extra pode não se justificar, como discutem os estudos do JAMA e da ABCD.
  • Estrutura do hospital. Segundo o Conselho Federal de Medicina, a cirurgia robótica deve ser feita em hospital capacitado para alta complexidade, com estrutura segura para o equipamento e comunicação eficiente e redundante.
  • Mudança de conduta durante a cirurgia. A regra do CFM exige um cirurgião auxiliar ao lado do paciente, pronto para intervir rapidamente em caso de evento adverso e capaz de assumir a cirurgia em situação de emergência.

A mesma resolução do CFM torna obrigatório explicar ao paciente os riscos e benefícios do procedimento e registrar isso em um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Esse é o momento certo para tirar dúvidas sobre o custo, a técnica e as alternativas.

Quem pode fazer cirurgia robótica no Brasil?

De acordo com o CFM, só pode operar com robô o médico com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) que tenha feito treinamento específico em cirurgia robótica na residência ou em capacitação própria. A Resolução CFM nº 2.311/2022 também prevê supervisão do cirurgião em formação até que ele complete 10 cirurgias robóticas.

Essas exigências de treinamento e de equipe também fazem parte do custo da cirurgia robótica. Na Bellit, a equipe de cirurgia robótica avalia cada caso antes de indicar a técnica.

O plano de saúde cobre cirurgia robótica?

Depende do procedimento, do contrato e das regras da ANS em vigor. Explicamos o tema em detalhe no texto plano de saúde cobre cirurgia robótica? O que diz a ANS.

Perguntas frequentes

Por que a cirurgia robótica é mais cara?

Porque soma custos que a videolaparoscopia não tem: compra e manutenção do robô, instrumentos com número limitado de usos e mais tempo de sala, segundo estudos publicados no JAMA e na ABCD.

Os instrumentos do robô podem ser reutilizados?

Sim, mas por um número limitado de vezes. O estudo do JAMA relata que o fabricante limita a maioria dos instrumentos a até 10 procedimentos.

A cirurgia robótica exige internação mais longa?

Não necessariamente. No estudo brasileiro sobre hérnia incisional, o tempo de internação foi semelhante entre robô e videolaparoscopia. O tempo real depende do procedimento e de cada paciente.

Por que não existe um preço fixo para a cirurgia robótica?

Porque o valor muda conforme o tipo de cirurgia, o tempo de sala, o hospital, a equipe e a cobertura do plano. Só a avaliação individual permite um orçamento correto.

Quantos cirurgiões participam da cirurgia robótica?

No mínimo dois: um no console e outro ao lado do paciente, conforme a Resolução CFM nº 2.311/2022.

Cirurgia robótica mais cara significa resultado garantido?

Não. Nenhuma técnica garante resultado. O benefício do robô varia conforme o caso, e a indicação deve ser discutida com o cirurgião.

Se você tem indicação de cirurgia e quer entender qual técnica faz sentido no seu caso, agende uma avaliação com a equipe da Bellit.

Referências

  1. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.311/2022 — normatiza a cirurgia robótica no Brasil. 2022. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/resolucoes/BR/2022/2311_2022.pdf. Acesso em 01/10/2026.
  2. Conselho Federal de Medicina (CFM). CFM regulamenta a cirurgia robótica no Brasil. 2022. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-regulamenta-a-cirurgia-robotica-no-brasil. Acesso em 01/10/2026.
  3. Childers CP, Maggard-Gibbons M. Estimation of the Acquisition and Operating Costs for Robotic Surgery. JAMA. 2018. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6142989. Acesso em 01/10/2026.
  4. Costa TN, Tustumi F, Ferros LSM, Colonno BB, Abdalla RZ, Ribeiro-Junior U, et al. Robotic-assisted versus laparoscopic incisional hernia repair: differences in direct costs from a Brazilian public institute perspective. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva. 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abcd/a/RGTMDHYxkzkjkqphFBGKWTF/?lang=en. Acesso em 01/10/2026.
  5. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Relatório de Recomendação — Ressecção retal assistida por robô para o tratamento de pacientes com câncer de reto localizado ou localmente avançado. Junho de 2026. Disponível em: gov.br/conitec. Acesso em 01/10/2026.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Revisão médica: Dr. Danilo Bugalho Galdiano — CRM-SP 152058 — RQE 89659 / 896591.

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