Tipos de cirurgia de hérnia inguinal: aberta, por vídeo e com tela

Adriana Michelon • 1 de outubro de 2026

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Adriana Michelon

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1 de outubro de 2026

A cirurgia de hérnia inguinal pode ser feita de duas formas principais: aberta, por um corte na virilha, ou por vídeo (videolaparoscopia), por pequenos cortes na barriga. Também existe a versão robótica, que é uma forma de cirurgia por vídeo. Na maioria dos casos, o reparo usa uma tela, que reduz o risco de a hérnia voltar. A escolha depende do tipo de hérnia, de cirurgias anteriores e da saúde de cada pessoa.

Abaixo, explicamos cada técnica, o papel da tela e quando uma pode ser preferida à outra.

Quais são os tipos de cirurgia de hérnia inguinal?

Segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA (MedlinePlus), a hérnia inguinal pode ser corrigida de duas formas:

  • Cirurgia aberta: o cirurgião faz um corte perto da hérnia, recoloca o conteúdo no lugar e fecha a parede do abdome, em geral com uma tela para reforçar.
  • Cirurgia por vídeo (laparoscopia): são feitos três a cinco pequenos cortes na parte baixa da barriga, por onde entram a câmera e os instrumentos. O reparo é o mesmo, incluindo a tela.

As diretrizes internacionais do HerniaSurge Group comparam três grupos de técnicas: reparo aberto com tela, reparo por vídeo com tela e reparo sem tela.

O que é a tela e por que ela é usada?

A tela é um material que reforça a parede do abdome no local da hérnia. As diretrizes do HerniaSurge recomendam o reparo com tela como primeira escolha, seja pela cirurgia aberta, seja por vídeo.

O motivo é a volta da hérnia. Na comparação entre a técnica de Shouldice (sem tela) e a de Lichtenstein (com tela), a recidiva foi maior sem tela, segundo a mesma diretriz.

Cirurgia aberta: a técnica de Lichtenstein

Entre as técnicas abertas, as diretrizes do HerniaSurge consideram a técnica de Lichtenstein, com tela plana, superior a outras opções abertas com tela, como o "plug" e as telas autoaderentes.

Um ponto a favor da cirurgia aberta é a anestesia. A mesma diretriz recomenda o uso de anestesia local na cirurgia aberta, desde que o cirurgião tenha experiência com a técnica. O MedlinePlus cita como opções a anestesia geral, a regional ou a local com medicação para relaxar.

Cirurgia por vídeo: TEP e TAPP

A cirurgia por vídeo tem duas variações principais, conhecidas pelas siglas TEP e TAPP. Elas diferem no caminho que o cirurgião usa para chegar à hérnia e colocar a tela. Segundo as diretrizes do HerniaSurge, as duas são adequadas, e não há diferença importante em recidiva, dor crônica ou tempo de cirurgia quando feitas por cirurgiões experientes.

A mesma diretriz aponta que, quando há estrutura e experiência, as técnicas por vídeo têm:

  • recuperação mais rápida;
  • menor risco de dor crônica;
  • boa relação de custo-efetividade.

E a cirurgia robótica?

A cirurgia robótica também é feita por pequenos cortes, com os instrumentos presos a braços robóticos comandados pelo cirurgião. Na hérnia inguinal de rotina, porém, os estudos ainda não mostraram vantagem sobre a videolaparoscopia.

Uma revisão publicada na revista Laparoscopic Surgery em 2022, que incluiu o ensaio randomizado RIVAL, concluiu que a cirurgia robótica levou mais tempo, teve custo por procedimento maior e não demonstrou superioridade na hérnia inguinal de rotina. Entenda melhor a tecnologia em o que é cirurgia robótica.

Quando uma técnica pode ser preferida à outra?

As diretrizes do HerniaSurge trazem algumas situações específicas:

  • Mulheres: sugere-se o reparo por vídeo, para reduzir o risco de dor crônica e não deixar passar uma hérnia femoral, que é mais frequente em mulheres.
  • Hérnia femoral: sugere-se correção com tela por vídeo, no tempo adequado, quando há experiência.
  • Anestesia local: é uma vantagem da cirurgia aberta, com cirurgião experiente.
  • Pessoas com 65 anos ou mais: a diretriz sugere anestesia geral em vez de regional, por poder estar associada a menos complicações.

Cirurgias anteriores na parte baixa da barriga, outras doenças e a experiência da equipe também entram na decisão. Por isso, a indicação é sempre individual.

Quais são os riscos, em qualquer técnica?

O MedlinePlus cita como riscos da cirurgia de hérnia inguinal: lesão de vasos ou de outros órgãos, lesão de nervos, dor de longa duração na região do corte e volta da hérnia.

Sobre a dor crônica, as diretrizes do HerniaSurge estimam que ela fica na faixa de 10% a 12%, diminuindo com o tempo, e que a dor que atrapalha as atividades do dia a dia ou o trabalho atinge de 0,5% a 6% das pessoas.

Como é a recuperação?

As diretrizes do HerniaSurge recomendam que a maioria das cirurgias de hérnia inguinal seja feita em regime de hospital-dia, desde que o acompanhamento após a alta esteja organizado.

Em casa, o MedlinePlus orienta não levantar nada acima de 4,5 kg por 4 a 6 semanas, ou até o cirurgião liberar. Segundo a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o repouso mais rigoroso vale para as primeiras 24 a 48 horas, e a volta ao trabalho costuma ocorrer entre 1 e 4 semanas, conforme a atividade. A BP orienta procurar atendimento em caso de dor intensa que não melhora com a medicação, febre acima de 38 °C, secreção na ferida ou inchaço excessivo.

Perguntas frequentes

Qual o melhor tipo de cirurgia de hérnia inguinal?

Não há uma técnica melhor para todos. As diretrizes recomendam o reparo com tela como primeira escolha, aberto ou por vídeo, conforme o caso e a experiência da equipe.

Toda cirurgia de hérnia inguinal usa tela?

Na maioria dos casos, sim. O reparo sem tela existe, mas as diretrizes indicam a tela como primeira escolha.

A cirurgia por vídeo dói menos?

Segundo as diretrizes do HerniaSurge, as técnicas por vídeo têm menor risco de dor crônica e recuperação mais rápida, quando há estrutura e experiência.

A cirurgia aberta pode ser feita com anestesia local?

Sim. É uma das vantagens da técnica aberta, com cirurgião experiente.

Hérnia dos dois lados pode ser operada de uma vez?

A decisão é do cirurgião. Na técnica TAPP, as diretrizes indicam examinar o outro lado durante a cirurgia, com consentimento do paciente.

A robótica é melhor para hérnia inguinal?

Nos estudos disponíveis, não mostrou superioridade na hérnia inguinal de rotina, e o custo foi maior.

Preciso ficar internado?

Na maioria dos casos, a cirurgia é feita em regime de hospital-dia.

Próximo passo

Se você tem hérnia inguinal, uma consulta define qual técnica faz sentido no seu caso. Conheça a cirurgia do aparelho digestivo na Bellit ou agende uma avaliação.

Referências

  1. HerniaSurge Group. International guidelines for groin hernia management. Hernia , 2018;22(1):1–165. Disponível em: pmc.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em 30/09/2026.
  2. MedlinePlus – U.S. National Library of Medicine. Inguinal hernia repair. Revisado em 21/01/2025. Disponível em: medlineplus.gov. Acesso em 30/09/2026.
  3. MedlinePlus – U.S. National Library of Medicine. Inguinal hernia repair – discharge. Revisado em 21/01/2025. Disponível em: medlineplus.gov. Acesso em 30/09/2026.
  4. Gunnarsson U, Dahlstrand U, Strigård K. Is robotic-assisted surgery a step in the right direction for routine inguinal hernia repair? Laparoscopic Surgery , 2022;6. Disponível em: ls.amegroups.org. Acesso em 30/09/2026.
  5. BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Cirurgia de hérnia: quais os cuidados pós-operatórios você precisa saber. Disponível em: bp.org.br. Acesso em 30/09/2026.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Revisão médica: Dr. Danilo Bugalho Galdiano — CRM-SP 152058 — RQE 89659 / 896591.

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