Cirurgia minimamente invasiva: o que é, exemplos e limites

Adriana Michelon • 1 de outubro de 2026

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Adriana Michelon

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1 de outubro de 2026

Cirurgia minimamente invasiva é aquela feita por pequenos cortes, com uma câmera e instrumentos finos, em vez de um corte grande. As duas formas mais conhecidas são a videolaparoscopia e a cirurgia robótica. Em geral, a recuperação é mais rápida do que na cirurgia aberta, mas a técnica não serve para todos os casos e também tem riscos.

Neste post, explicamos como ela funciona, em quais cirurgias do abdome é usada e quais são os seus limites.

O que é cirurgia minimamente invasiva?

É um jeito de operar que reduz o tamanho do acesso ao corpo. Segundo o serviço nacional de saúde do Reino Unido (NHS), a laparoscopia é um tipo de cirurgia "por buraco de fechadura", que permite ao cirurgião usar apenas pequenos cortes e uma câmera para procedimentos dentro da barriga ou da pelve.

A regra geral na cirurgia do abdome é clara. Segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA (MedlinePlus), sempre que possível, a laparoscopia é feita no lugar da cirurgia aberta (laparotomia).

Quais são os tipos de cirurgia minimamente invasiva?

No abdome, as duas principais são:

  • Videolaparoscopia (ou laparoscopia): o cirurgião opera com instrumentos longos, segurando-os com as mãos, e acompanha tudo por um monitor.
  • Cirurgia robótica: os instrumentos também entram por pequenos cortes, mas são presos a braços robóticos que o cirurgião comanda de um console, com visão ampliada. O robô não opera sozinho.

As duas são minimamente invasivas. A diferença entre elas é explicada em detalhe no post o que é cirurgia robótica.

Como é feita, passo a passo?

O NHS descreve a laparoscopia assim:

  1. A cirurgia é feita com anestesia geral.
  2. O cirurgião faz um pequeno corte perto do umbigo.
  3. A barriga é inflada com gás, para que o cirurgião consiga enxergar.
  4. Um tubo fino com câmera, o laparoscópio, é introduzido, e as imagens aparecem em um monitor.
  5. Se for preciso operar, são feitos outros pequenos cortes para os instrumentos.
  6. No fim, o gás é retirado e os cortes são fechados com pontos ou grampos.

Segundo a mesma fonte, uma laparoscopia só para diagnóstico costuma levar de 30 a 60 minutos. Quando há tratamento, a cirurgia leva mais tempo.

Exemplos de cirurgia minimamente invasiva

O NHS lista vários usos da laparoscopia. Entre os que envolvem o aparelho digestivo e a parede do abdome:

  • retirada da vesícula;
  • retirada do apêndice;
  • correção de hérnias;
  • tratamento de úlceras;
  • retirada de órgãos ou partes de órgãos afetados por câncer;
  • cirurgia para perda de peso (bariátrica).

Ela também pode ser usada para diagnóstico, por exemplo para investigar apendicite ou alguns tipos de câncer, segundo a mesma fonte.

Na hérnia inguinal, por exemplo, o MedlinePlus descreve a cirurgia por vídeo com três a cinco pequenos cortes na parte baixa da barriga.

Quais são as vantagens em relação à cirurgia aberta?

A principal é a recuperação. Duas revisões sistemáticas da Cochrane mostram isso:

  • Vesícula: a revisão de Keus e colaboradores encontrou mortalidade e complicações semelhantes entre as técnicas, com internação cerca de 3 dias mais curta e convalescença mais rápida na laparoscopia.
  • Intestino grosso: a revisão de Schwenk e colaboradores mostrou menos dor, internação cerca de 1,4 dia menor, retorno mais rápido do funcionamento do intestino e menos infecção na ferida com a laparoscopia.

Na hérnia inguinal, as diretrizes internacionais do HerniaSurge Group apontam que as técnicas por vídeo, quando há estrutura e experiência, têm recuperação mais rápida e menor risco de dor crônica.

Quais são os riscos e limites?

Minimamente invasiva não quer dizer sem risco. O NHS afirma que as complicações são raras, e cita entre elas:

  • necessidade de converter para cirurgia aberta;
  • hérnia no local de um dos cortes;
  • lesão de órgãos ou vasos sanguíneos;
  • reação alérgica grave;
  • coágulos nas veias das pernas ou no pulmão.

A conversão para cirurgia aberta é uma decisão de segurança. Um estudo apresentado no congresso da SAGES, com 21 anos de retiradas de vesícula por vídeo, encontrou conversão em 2,7% dos casos, na maioria por inflamação intensa com aderências.

Há também uma contrapartida no tempo de cirurgia. Na cirurgia do intestino, a laparoscopia levou em média 42 minutos a mais, segundo a revisão da Cochrane.

E nem toda situação permite a técnica. Urgências graves, alguns cânceres e abdomes com muitas aderências de cirurgias anteriores podem exigir cirurgia aberta. Quem decide é o cirurgião, depois de avaliar o caso.

Como é a recuperação?

Segundo o NHS:

  • depois de uma laparoscopia para diagnóstico, a recuperação leva até 10 dias, e a volta ao trabalho pode levar até 3 semanas;
  • depois de uma laparoscopia com tratamento, a recuperação completa pode levar de 6 a 8 semanas, conforme a cirurgia.

Nos primeiros dias, a mesma fonte cita como efeitos comuns: náusea, cansaço, dor de garganta, barriga inchada, dor no ombro (causada pelo gás usado na cirurgia) e manchas roxas.

Procure atendimento se tiver febre alta, vômitos intensos, dor na barriga que piora, problemas na ferida, sangramento incomum, inchaço na perna ou falta de ar, conforme orienta o NHS.

Quem pode fazer cirurgia robótica no Brasil?

A cirurgia robótica tem regras próprias. O Conselho Federal de Medicina regulamentou a técnica pela Resolução CFM nº 2.311/2022. O cirurgião precisa ter Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área cirúrgica e treinamento específico em cirurgia robótica, e a cirurgia deve ser feita em hospital capacitado para alta complexidade.

Perguntas frequentes

Cirurgia minimamente invasiva e videolaparoscopia são a mesma coisa?

A videolaparoscopia é um tipo de cirurgia minimamente invasiva. A cirurgia robótica é outro.

A cirurgia minimamente invasiva deixa cicatriz?

Deixa, mas os cortes são pequenos. O número e o local dependem da cirurgia.

É feita com anestesia geral?

Na laparoscopia descrita pelo NHS, sim. Em algumas cirurgias, como a de hérnia, há outras opções, definidas pela equipe.

Vou para casa no mesmo dia?

Em muitos casos, a alta é no mesmo dia ou no dia seguinte. Depende da cirurgia e da sua recuperação.

Por que dói o ombro depois da cirurgia?

Por causa do gás usado para inflar a barriga durante a cirurgia. Segundo o NHS, é um efeito comum nos primeiros dias.

Toda cirurgia do abdome pode ser minimamente invasiva?

Não. A indicação depende do problema, da urgência e de cirurgias anteriores.

A cirurgia bariátrica é minimamente invasiva?

Ela pode ser feita por vídeo, segundo o NHS. Se você procura informação sobre cobertura, leia quem tem direito à bariátrica pelo plano de saúde.

Próximo passo

Na Bellit, a escolha entre cirurgia aberta, videolaparoscopia e cirurgia robótica é feita caso a caso. Para saber se a técnica serve para o seu caso, agende uma avaliação.

Referências

  1. NHS (National Health Service, Reino Unido). Laparoscopy (keyhole surgery). Revisado em 20/12/2023. Disponível em: nhs.uk. Acesso em 30/09/2026.
  2. MedlinePlus – U.S. National Library of Medicine. Abdominal exploration. Revisado em 01/01/2026. Disponível em: medlineplus.gov. Acesso em 30/09/2026.
  3. MedlinePlus – U.S. National Library of Medicine. Inguinal hernia repair. Revisado em 21/01/2025. Disponível em: medlineplus.gov. Acesso em 30/09/2026.
  4. Keus F, de Jong J, Gooszen HG, Laarhoven CJHM. Laparoscopic versus open cholecystectomy for patients with symptomatic cholecystolithiasis. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2006. Disponível em: cochrane.org. Acesso em 30/09/2026.
  5. Schwenk W, Haase O, Neudecker JJ, Müller JM. Short term benefits for laparoscopic colorectal resection. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2005. Disponível em: cochrane.org. Acesso em 30/09/2026.
  6. HerniaSurge Group. International guidelines for groin hernia management. Hernia , 2018;22(1):1–165. Disponível em: pmc.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em 30/09/2026.
  7. Gajsek U, Andromako N. Conversion rate in laparoscopic cholecystectomy: a 21-year experience in a single centre. Resumo apresentado no SAGES Annual Meeting (dados de 1998 a 2013). Disponível em: sages.org. Acesso em 30/09/2026.
  8. Conselho Federal de Medicina (CFM). CFM regulamenta a cirurgia robótica no Brasil (Resolução CFM nº 2.311/2022). Disponível em: portal.cfm.org.br. Acesso em 30/09/2026.

Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Revisão médica: Dr. Danilo Bugalho Galdiano — CRM-SP 152058 — RQE 89659 / 896591.

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