Balão gástrico: como funciona e para quem é indicado

4 de setembro de 2026

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4 de setembro de 2026

Para muita gente que convive com o excesso de peso, chega um ponto em que o esforço deixa de trazer resultado: a dieta funciona por algumas semanas, o ponteiro volta e os exames pioram devagar. A cirurgia, por outro lado, nem sempre é o passo indicado pelo médico naquele momento. Em alguns casos, o quadro não preenche os critérios. Em outros, o corpo precisa de preparo antes: um diabetes descompensado, por exemplo, aumenta o risco de infecção e atrapalha a cicatrização, e o controle da glicemia vem antes de qualquer cirurgia.


O balão gástrico existe para esse meio do caminho. Ele entra quando dieta, exercício e medicação não sustentaram o resultado e a cirurgia não é indicada, precisa esperar ou exige preparo.


As dúvidas que chegam ao consultório são quase sempre as mesmas. O balão funciona de verdade? Serve para o meu caso? Dói? E a mais importante de todas: o peso volta quando o balão sai?


São perguntas legítimas, e a resposta honesta começa por entender o que o balão é: um tratamento temporário, com data para começar e data para terminar.


Neste artigo, a equipe da Bellit explica em que ponto da jornada o balão gástrico entra, como ele funciona, quais tipos existem no Brasil, quanto peso é possível perder e, principalmente, o que precisa acontecer enquanto o balão está no estômago para que o resultado permaneça depois que ele sai.


O que é o balão gástrico e como ele funciona?

O balão gástrico, também chamado de balão intragástrico, é um dispositivo de silicone posicionado dentro do estômago para ocupar parte do espaço interno do órgão.


Com menos espaço disponível, a saciedade chega mais cedo e a quantidade de comida ingerida em cada refeição diminui. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica descreve dois mecanismos que atuam juntos: a restrição física do volume disponível no estômago e a ativação dos receptores de distensão gástrica, que enviam sinais de saciedade ao cérebro por meio do nervo vago.


Três características diferenciam o balão de outros tratamentos para obesidade:


  • não é cirurgia: não há cortes, pontos nem alteração da anatomia do estômago;
  • é temporário: o dispositivo permanece por um período definido, de alguns meses a um ano, conforme o modelo;
  • é reversível: retirado o balão, o estômago volta ao seu estado original.


Quais são os tipos de balão gástrico disponíveis no Brasil?

Hoje existem dois grandes grupos de balão em uso no país.


O balão endoscópico é o modelo clássico. Ele é colocado e retirado por endoscopia digestiva alta, um procedimento de 20 a 30 minutos feito sob sedação, sem internação. O balão é preenchido com soro fisiológico ou gás e permanece no estômago por 6 a 12 meses, conforme o modelo. Alguns são ajustáveis e permitem mudar o volume ao longo do tratamento, recurso útil para manejar sintomas ou intensificar o efeito. Entre os nomes conhecidos estão o Orbera e o Spatz.


O balão deglutível dispensa a endoscopia na colocação. Ele é engolido como uma cápsula, com água, em uma consulta de poucos minutos, sem sedação e sem anestesia. Em seguida, é preenchido com líquido por um cateter fino, que se desprende sozinho. Aprovado pela Anvisa em 2022, o modelo disponível no Brasil é o balão Allurion, antes chamado de Elipse. Cerca de quatro meses depois da colocação, uma válvula se abre, o balão esvazia sozinho e é eliminado naturalmente pelo trânsito intestinal.


A escolha entre um e outro depende do histórico digestivo, do IMC, da meta de perda de peso, do tempo de tratamento pretendido e da avaliação médica prévia. Um paciente com sintomas digestivos relevantes, por exemplo, pode precisar da endoscopia diagnóstica antes de qualquer decisão.


Para quem o balão gástrico é indicado?

Em linhas gerais, o balão é considerado para adultos com obesidade graus I e II, com IMC (Índice de Massa Corporal) entre 30 e 40 kg/m².


Antes dele, espera-se um tratamento clínico bem estruturado, com dieta supervisionada, atividade física e medicação quando indicada, mantido por pelo menos seis meses. Quando esse caminho não sustenta o resultado e não há indicação cirúrgica, o balão entra como opção.


A prática clínica reconhece ainda duas situações em que o balão ganha protagonismo, ambas previstas nas normas atuais do Conselho Federal de Medicina:


  • pacientes com restrição à cirurgia, quando a bariátrica não é possível ou não é desejada naquele momento;
  • preparo pré-operatório, quando perder peso antes de uma cirurgia bariátrica ou de outro procedimento reduz o risco anestésico e cirúrgico.

Por outro lado, algumas condições costumam contraindicar o tratamento:

  • cirurgia prévia no estômago ou no esôfago;
  • hérnia de hiato volumosa;
  • úlcera ou doença inflamatória ativa no trato digestivo;
  • gestação;
  • uso contínuo de anticoagulantes;
  • transtornos alimentares sem tratamento adequado.


E existe uma contraindicação menos óbvia: a expectativa errada. O balão não é um atalho estético para perder poucos quilos antes de um evento. É um tratamento de obesidade, com critério de indicação, período de adaptação e um programa inteiro em volta dele.


Quanto peso é possível perder com o balão gástrico?

Os programas com balão deglutível relatam perda média de 10 a 15% do peso corporal total em aproximadamente 16 semanas. Modelos endoscópicos de maior permanência podem alcançar percentuais semelhantes ou superiores, a depender do modelo e, sobretudo, da adesão ao acompanhamento.


A comparação com o tratamento sem balão ajuda a dimensionar o efeito. Na revisão de evidências conduzida pela ANS, quem usou o balão intragástrico junto de um programa de perda de peso teve cerca de duas vezes mais chance de perder ao menos 5% do peso em seis meses. Para uma perda de 10% ou mais, a chance foi cerca de quatro vezes maior do que com o programa sozinho.


Na prática clínica, uma perda de 5 a 10% do peso já se associa a melhora da pressão arterial, da glicemia, da gordura no fígado e da apneia do sono.


Mas todos esses percentuais têm uma condição: nenhum deles pertence ao balão sozinho. A saciedade precoce reduz a quantidade de comida, não escolhe a qualidade do prato, não faz treino de força e não reorganiza a relação com a comida. Sem orientação, parte do peso perdido pode vir de massa muscular, o que enfraquece o metabolismo e prepara o terreno para o reganho. O melhor resultado não é o número que cai mais rápido na balança: é perder gordura, preservar músculo e conseguir manter o peso alcançado depois da retirada.


Como é a adaptação nos primeiros dias?

Os primeiros três a sete dias são os mais sensíveis do tratamento. Náusea, cólica, sensação de peso no estômago e refluxo são comuns enquanto o organismo se ajusta à presença do balão.

Esses sintomas têm manejo: medicação prescrita para o período, hidratação atenta e progressão alimentar em fases. A alimentação começa líquida, evolui para a pastosa e chega à sólida adaptada.


Ter uma equipe acessível nessa fase muda a experiência. Sintomas que persistem além do esperado merecem reavaliação e, em situações raras de intolerância real, o balão pode ser retirado antes do prazo, também por via endoscópica.


O que acontece quando o balão é retirado?

Quando o balão sai, o estômago volta ao volume habitual e a saciedade precoce desaparece. Se, durante o tratamento, nada mudou na alimentação, na atividade física e na relação com a comida, a fome antiga reencontra os hábitos antigos, e o resultado tende a se desfazer.


Os dados brasileiros são diretos nesse ponto. Um estudo acompanhado pela Faculdade de Medicina da UFMG verificou que, sem acompanhamento nutricional após a retirada, o risco de reganho de peso mais do que triplica em três anos.


A avaliação da ANS traz a fotografia de longo prazo: cerca de 40% dos pacientes mantêm uma perda igual ou superior a 5% do peso cinco anos após a retirada, e 26% mantêm 10% ou mais.


É por isso que o período com o balão deve ser tratado como uma janela de construção. Enquanto a saciedade precoce facilita comer menos, o trabalho real acontece em paralelo, com acompanhamento nutricional, treino orientado, proteína adequada, sono e suporte comportamental. 


O balão gástrico substitui a cirurgia bariátrica?

Não. E a comparação direta nem faz sentido: são tratamentos de complexidades diferentes, para momentos diferentes da doença.


O balão é um procedimento endoscópico, temporário e reversível, considerado em geral para obesidade graus I e II sem indicação cirúrgica. A cirurgia bariátrica é um tratamento de outra ordem: altera a anatomia do estômago, tem efeito metabólico mais profundo e duradouro e é indicada para quadros mais graves, segundo critérios formais de avaliação.


Em alguns casos, os caminhos se somam: o paciente usa o balão para reduzir o risco cirúrgico e, meses depois, opera em condições muito melhores.


Como o balão gástrico é conduzido na Bellit?

Na Bellit, o balão não é um procedimento isolado. Quando entra no plano de tratamento, entra como parte de uma jornada com três fases.


Antes da colocação:

  • avaliação clínica e metabólica completa, com exames laboratoriais;
  • endoscopia diagnóstica quando indicada, para avaliar esôfago e estômago;
  • avaliação nutricional e psicológica;
  • definição conjunta do modelo de balão e do tempo de tratamento.


Durante a permanência do balão:

  • consultas programadas com a equipe de medicina, nutrição, psicologia e performance;
  • manejo ativo da adaptação e plano alimentar por fases;
  • treino orientado para proteger a massa muscular;
  • monitoramento da composição corporal, não apenas do peso.


Depois da retirada: plano de manutenção estruturado, com acompanhamento nutricional continuado, atividade física e suporte comportamental, exatamente o fator que os estudos apontam como decisivo contra o reganho.


Como começar com segurança?

O que define o sucesso do tratamento não é o dispositivo em si: é a indicação correta, a adaptação bem conduzida e, acima de tudo, o que se constrói enquanto o balão está no estômago.


Agende uma avaliação na Bellit  e entenda se o balão gástrico faz sentido para o seu momento.



Perguntas frequentes sobre balão gástrico


A colocação do balão dói?

Não. O balão endoscópico é colocado sob sedação, sem dor durante o procedimento. O deglutível é engolido com água, como uma cápsula grande. O desconforto do tratamento se concentra nos primeiros dias de adaptação e tem manejo médico.


Preciso de internação ou de afastamento do trabalho?

Não há internação: o procedimento é ambulatorial. A maioria das pessoas retoma a rotina leve em um a três dias, conforme a adaptação. Atividades físicas intensas esperam a liberação da equipe.


O plano de saúde cobre o balão gástrico?

O balão intragástrico não integra, até o momento, o rol de procedimentos de cobertura obrigatória da ANS. Consultas e exames de etapas relacionadas à jornada, por outro lado, podem ter cobertura conforme o contrato. Na avaliação, a equipe orienta o que vale verificar com a operadora.


Que exames são pedidos antes da colocação?

Em geral, exames laboratoriais que avaliam o quadro metabólico e, conforme o caso, endoscopia digestiva alta para examinar esôfago e estômago, afastando condições como úlcera, hérnia de hiato volumosa ou inflamações que contraindicam o balão.


Como é o preparo no dia da colocação?

A orientação padrão é jejum de algumas horas antes do procedimento, para que o estômago esteja vazio. Conforme o caso, a equipe também pode orientar dieta líquida na véspera e prescrever medicação para reduzir o desconforto dos primeiros dias. As instruções exatas variam com o tipo de balão e são entregues na consulta.


Qual médico coloca o balão gástrico?

Um médico endoscopista, que pode ser gastroenterologista ou cirurgião com formação em endoscopia digestiva. O tratamento, porém, não se resume ao procedimento: os critérios técnicos preveem acompanhamento por equipe multidisciplinar, com nutrição e psicologia, antes, durante e depois do período com o balão.


Posso praticar exercício com o balão?

Sim, e deve. Após a fase de adaptação, a atividade física é parte central do programa, especialmente o treino de força, que protege a massa muscular durante a perda de peso e ajuda a sustentar o resultado depois da retirada.


E se eu não me adaptar ao balão?

A maior parte dos sintomas cede com o manejo das primeiras semanas. Quando a intolerância persiste, o balão pode ser retirado antes do prazo, por endoscopia, sem prejuízo para tratamentos futuros.


O balão pode ser usado mais de uma vez?

Pode, em casos selecionados. Alguns pacientes fazem um segundo programa para ampliar a perda de peso ou consolidar resultados, sempre após reavaliação médica do intervalo e da indicação.


Posso engravidar durante o tratamento?

A recomendação é evitar a gestação enquanto o balão estiver no estômago. Se a gravidez acontecer, a equipe deve ser procurada imediatamente para avaliar a retirada e reorganizar o cuidado.


Quem já fez cirurgia bariátrica pode colocar balão?

Cirurgia prévia no estômago ou no esôfago costuma contraindicar o balão. Casos de reganho após bariátrica pedem avaliação individualizada, que pode indicar outros caminhos, como o tratamento clínico ou a cirurgia revisional.


Referências

Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.429, de 25 de abril de 2025. Diário Oficial da União, 2025.

https://www.in.gov.br/web/dou/-/resolucao-cfm-n-2.429-de-25-de-abril-de-2025-*-630700839


Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. A Endoscopia e a Obesidade.

https://sbcbm.org.br/endoscopia-e-obesidade/


Sociedade Brasileira de Diabetes. Diabetes e cirurgias: da cicatrização à infecção.

https://diabetes.org.br/diabetes-cirurgias-da-cicatrizacao-a-infeccao/


Agência Nacional de Saúde Suplementar. Relatório técnico: Balão intragástrico para tratamento de adultos com obesidade grau I e II.

https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-da-sociedade/audiencias-publicas/audiencias-publicas-realizadas-1/RT_43_COSAUDE_RP__UAT_168__Balao_intragastrico.pdf


Faculdade de Medicina da UFMG. Estudo investiga reganho de peso após uso do balão intragástrico.

https://www.medicina.ufmg.br/estudo-investiga-reganho-de-peso-apos-uso-do-balao-intragastrico/


Allurion. Allurion Receives Approval to Launch in Brazil, 2022.

https://www.allurion.com/en/newsroom/allurion-receives-approval-launch-brazil


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